Santiago Favilla | Psicólogo e Neuropsicólogo
TEA e TDAH: entender para cuidar melhor
Um guia simples para famílias, adolescentes e adultos que querem compreender o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), da infância à vida adulta.
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Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional.
TEA na infância
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento e se manifesta de formas muito diferentes de uma criança para outra. Alguns sinais que famílias e escolas costumam observar:
- dificuldade em iniciar ou manter interações e brincadeiras com outras crianças;
- diferenças na comunicação, como pouco contato visual, fala literal ou conversa centrada em um único assunto;
- forte apego a rotinas e desconforto com mudanças;
- interesses muito intensos por temas específicos;
- sensibilidade a sons, texturas, luzes ou cheiros.
Ter alguns desses sinais não significa, por si só, ter TEA. Por isso, a avaliação é feita por profissional capacitado.
TEA na vida adulta
Muitos adultos só entendem o próprio funcionamento mais tarde, principalmente quando falam bem e tiveram bom desempenho na escola. Alguns pontos frequentes:
- cansaço intenso depois de situações sociais ou de “agir de forma esperada” o tempo todo;
- dificuldade em entender expectativas implícitas no trabalho e nos relacionamentos;
- necessidade de previsibilidade e desconforto com imprevistos;
- sobrecarga sensorial em ambientes barulhentos ou cheios.
Entender esse funcionamento costuma trazer alívio e abre caminho para estratégias mais ajustadas à rotina de cada pessoa.
TDAH na infância e na adolescência
O TDAH envolve dificuldades persistentes de atenção, e em muitos casos também de agitação e impulsividade. Pode aparecer assim:
- Na infância: dificuldade de terminar tarefas, esquecimentos frequentes, perda de materiais, agitação, interrupção dos outros e dificuldade de esperar a vez.
- Na adolescência: desorganização, procrastinação, dificuldade com provas e prazos, impulsividade nas decisões e queda de autoestima.
A atenção varia conforme o interesse e o contexto. Uma criança que passa horas em uma atividade que gosta pode, ainda assim, ter dificuldade de atenção nas tarefas que exigem esforço.
Como o acompanhamento pode ajudar
Os resultados variam de pessoa para pessoa, mas o acompanhamento psicológico e a avaliação adequada costumam ajudar a:
Na escola
- identificar o que ajuda cada aluno a aprender melhor;
- orientar famílias e escolas sobre estratégias de organização, rotina e comunicação;
- indicar adaptações quando necessário.
No convívio social
- desenvolver habilidades de comunicação, de iniciar conversas e de lidar com conflitos;
- ajudar a pessoa a reconhecer seus limites e a se expressar melhor.
No comportamento e nas emoções
- compreender o que está por trás de crises, birras intensas, irritação ou isolamento;
- desenvolver formas mais saudáveis de lidar com frustração e ansiedade;
- apoiar a autoestima e reduzir o sofrimento da pessoa e da família.
Na família
- orientar os pais sobre como lidar com as dificuldades no dia a dia;
- diminuir conflitos e fortalecer o vínculo.
Como posso ajudar
Realizo psicoterapia e avaliação psicológica/neuropsicológica, com base em Terapia Cognitivo-Comportamental, ABA no TEA e Neuropsicologia. Quando necessário, o trabalho é integrado com outros profissionais, como médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e a escola.
Crianças de 3 a 11 anos são atendidas presencialmente. A partir dos 12 anos, o atendimento pode ser presencial ou online. Nos casos de crianças e adolescentes, a primeira consulta é feita com os pais ou responsáveis, em uma entrevista de anamnese.
Dúvidas comuns
Meu filho joga por horas, mas não faz a tarefa. Isso descarta o TDAH?
Não necessariamente. A atenção depende também de interesse, motivação e do tipo de demanda. Só uma avaliação completa pode esclarecer.
Uma criança que fala bem e vai bem na escola pode ter TEA?
Sim. A fala e o bom desempenho escolar não excluem dificuldades de comunicação social e outras características do autismo.
Esquecimentos e procrastinação em adultos significam TDAH?
Não automaticamente. Esses sinais têm várias causas possíveis, como estresse, ansiedade e sono. Vale investigar quando causam prejuízo na rotina.